Juiz que "apagou a luz" e terminou a festa: o fim da aposentadoria compulsória no Judiciário


 
O poder judiciário brasileiro carrega uma marca de patrimonialismo que, para o cidadão comum, soa como um escárnio: a aposentadoria compulsória como "punição" para magistrados que cometem crimes. Recentemente, assistimos ao capítulo final de uma novela que define bem o que o Ministro do STF, Flávio Dino, chamou de "o bizarro de ouro" do Direito.

​A Blindagem de Toga

​Não estamos falando de erros leves, mas de peculato, desvios de função e enriquecimento ilícito. Enquanto um trabalhador comum é demitido por justa causa e perde tudo, o juiz que desonra a toga era "premiado" com o descanso remunerado, mantendo salários fartos. A festa parecia não ter fim, até que alguém resolveu esticar demais a corda.

​A Ironia do Destino: O Juiz e o Ministro

​A história ganha contornos de ironia grega. Um magistrado, condenado pelo CNJ à aposentadoria compulsória por sua vasta ficha de crimes, decidiu que o benefício ainda era pouco. Inconformado, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a decisão.

​Por ironia do destino, o relator sorteado foi Flávio Dino.

​Dino, enquanto senador, foi o autor do projeto que visa extinguir essa aberração jurídica. Em seu despacho, o Ministro não apenas negou o recurso, como orientou um novo julgamento que prevê a perda efetiva do cargo, sem o soldo vitalício.

​O Tiro pela Culatra na CCJ

​Como diz a máxima, "não se cutuca onça com vara curta". Ao tentar reverter o que já era um privilégio, o magistrado acabou por "apagar a luz" de toda a classe que se beneficiava dessa impunidade.

​O movimento no STF serviu de combustível para que os parlamentares acelerassem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a antiga proposta de Dino. O objetivo agora é tornar lei o fim definitivo dessa regalia.

​Moral da História

​Se o juiz tivesse seguido o ditado popular do "deixa quieto", estaria hoje desfrutando de sua aposentadoria nababesca. Ao provocar o sistema, ele acabou por acelerar o fim da festa para si e para muitos outros. O tiro saiu pela culatra e o chumbo vai respingar em muita gente que se sentia intocável.

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