Não era igreja, era um banco — mas alguém rezava em silêncio
O segundo piso da agência do Bradesco, na Avenida Álvaro Maia, é mais do que um espaço de atendimento. É um ponto de encontro entre urgências.Ali funciona o setor de empréstimos para servidores públicos de Manaus. Durante a semana, nunca está vazio. As cadeiras se ocupam rapidamente — não só de pessoas, mas de preocupações.O ambiente tem um silêncio peculiar. Não é ausência de som, mas excesso de pensamento.Alguns cochilam, tentando escapar por alguns minutos. Outros olham fixamente para o chão, como se procurassem uma solução invisível. A maioria permanece imóvel, com o olhar distante — quase como o Pensador, de Auguste Rodin.Do outro lado do balcão, as atendentes. Muitas vêm dos tempos do antigo BEA. Não são apenas funcionárias: escutam histórias, traduzem angústias e devolvem respostas em forma de números — prazos, parcelas, limites.Cada atendimento parece simples. Mas nunca é.Num desses dias, eu também estava ali, esperando minha vez. Entre um número e outro no painel, ...